É novembro. Eu começo a ficar daquele jeito chato. É impressionante como as pessoas são repetitivas. Faltam quarenta e oito dias pra entrar no avião e rever todo mundo. 30 dias de férias de estágio que vão ser as mais bem aproveitadas do século. E, como sempre, eu mal posso esperar. Agora a ansiedade mora no meu maxilar. Droga, eu tenho que procurar um dentista. E ir mais as aulas de natação. Aos vinte e um anos, sou uma pessoa estressada. Os afazeres acadêmicos vão tocando a campainha. Eu atendo alguns, outros vou deixando fazer fila na porta. Os mais complicados – vão ficar pra minha crise nervosa de fim de semestre. Cansei de tentar fazer tudo direitinho. Algumas coisas pedem uma aluna medíocre e ponto. Eu só tenho dor na consciência às vezes. As pessoas vão me perguntando o que eu vou fazer quando eu me formar. Ser socióloga não é suficiente? Agora parece que os meus pensamentos ecoam e as pessoas vão catando eles na calçada, pra me entregar, cheias de questionamentos. As frutinhas vão me conquistando mais. Talvez eu tenha deixado um pouco das minhas frescuras alimentares. Mas só um pouco, também. São três anos já. Três anos de amor – e de muita paciência. Ninguém nunca te conta a verdade sobre namorar. E quando você descobre, muitas vezes já é tarde. Já está incutida demais pra voltar atrás. A família vai se reunir de novo, entre trancos e barrancos. E a canceriana dormirá feliz. Pelo menos a primeira semana.