Sobre os Ipês que enchem os olhos

Lembro-me da primeira vez que os vi. Andava curiosamente pelas ruas arborizadas, conhecendo aquela nova capital.  Quando avistei o chão pintadinho de flores cor de rosa, tão delicadas,  fiquei encantada. E quando olhei pra cima, para árvore de galhos retorcidos e carregada de tantas flores, foi paixão a primeira vista.

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Desde então, eles estão em todos os lugares. Nas esquinas, colorindo as calçadas e os automóveis que se abrigam em sua sombra. Apesar de sua quantidade,  sempre me causam um sorriso quando cruzam meu caminho. Até nas horas mais improváveis.

É como ele disse:

“Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade. Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está prá chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio.”(…)”Corra o risco de ser considerado louco: vá visitar os ipês. E diga-lhes que eles tornam o seu mundo mais belo. Eles nem o ouvirão e não responderão. Estão muito ocupados com o tempo de amar, que é tão curto.”

(Rubem Alves)