Taís

fotoEla é Taís, nascida em terras cariocas, criada em Salvador e moradora de Brasília há seis anos. Canceriana do dia dois de julho, vive de dramas quase inexplicáveis já há vinte e cinco verões. Ainda se surpreende com o fato, mas foi aluna de uma escola técnica quando na capital baiana, apesar da completa incapacidade de lidar ou entender cálculos. A despeito dos esforços maternos e do colégio de exatas, anos mais tarde resolveu enveredar pelo campo das ciências humanas. Queria ser antropóloga e se vestir de Indiana Jones – só não percebia que de antropólogo o tal não tinha nada. Estudou na UFBa, no bucólico e precário campus de São Lázaro, e, insatisfeita, partiu para a também bucólica Universidade de Brasília. Formada então em sociologia, graduada e mestra, interessa-se em estudos diversos sobre alimentação e sua relação com identidades e memórias, em momentos intelectuais, mas tem de trabalhar oito horas por dia e pagar o aluguel, o que acha extremamente enfadonho (como o resto da humanidade).

O marido, que a aguenta há sete anos, é computeiro, paciente, barbudo e lindo. Mora em um apartamento velho e iluminado, com dois cachorros agitados e meio malucos, comedores compulsivos de móveis e sapatos – Dendê e Andu, evidentemente. Ainda tem saudades de uma poodle histérica de alcunha Highlander, vulgarmente conhecida como Hi. Tenta compensar toda a bobagem do resto dia chegando em casa, deitando no chão e deixando que Andu e Dendê lhe lambam a cara, e levanta para cozinhar qualquer coisa que julgue divertida e/ou inédita, quase sempre. Ela também tenta cuidar, muitas vezes em vão, de uma horta na janela, da compulsão por gadgets culinários e de colecionar livros que não consegue ler. Bom, que ela adoraria voltar a morar na praia, mas que não ia nenhuma vez quando morava em Salvador, que supostamente não gosta de Brasília, mas que sempre quer voltar, e que morre de saudades da família, mas que tem dificuldades de passar mais de uma semana perto dela, vocês percebem logo, logo. Se você disser que é contraditório, ela ri, uma risada gostosa. É também apaixonada por realismo fantástico (Garcia Márquez é a sensação), tem um grilo da consciência, queria ler mais do que é capaz e adora seriados bobos e programas repetitivos de culinária. Fala e reclama mais do que deveria. Oscila entre saber os nomes de possíveis três filhos e de não querer ter nenhum ao ver uma criança, e de ter um terreno de mil metros quadrados ou uma kitnet de quarenta. Mas isso é só pra depois que ficar rica trabalhando com Sociologia.

Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia

A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando

A gente vai levando essa guia!

“vai levando, chico buarque”

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3 pensamentos sobre “Taís

  1. Taís,
    Gostei dos seus comentários, tb. dessa socioantropologia (apesar de ser antropólogo stricto sensu). Um conselho: da próxima vez confie menos nos seus professores e mais nas leituras de autores consagrados.Com internet, por exemplo, não é difícil conseguir programas de ‘antropologia urbana’ e se orientar nessa nova floresta antropológica. Em se tratando de antropologia, eu pensaria, sobretudo, nos textos etnográficos, qua ainda continua sendo a marca da disciplina.
    Sorte!
    Miguel

  2. Olá….tudo bom?! Sou estudante de Ciências Socias pela Universidade estadual paulista…eu estava no Google vendo as possibilidades de estágio para um Cientista Social e acabei entrando no seu blog por acaso…e me identifiquei com o alguns detalhes de uns dos textos que vc postou, onde fala sobre a sua escolha profissional, a decepção passageira com o curso de Ciências Socias e a grande dúvido ” o que vou ser no final de tudo”. Quando eu decidi cursar Ciências Sociais, não sabia ao certo o que estava fazendo…tinha uma visão superficial do curso, mas foi a única opção com a qual me identifiquei para o Vestibular.Todavia, já estou no segundo semestre do segundo ano do curso e estou totalmente perdida, sem rumo, sem saber se é isso que realmente quero e com medo do futuro profissional…ainda não encontrei um tema com o qual eu possa seguir em frente com uma pesquisa! Não sei se prefiro a Sociologia ou a Antropologia…dispenso a politica!hehe!! Na verdade , a principio, minha vontade é de atuar como sociologa numa empresa de RH…seguir essa area…
    Bom é isso…quem sabe vc pode me aconselhar nessa dúvida…!hehe se puder me manda um e-mail
    Abraço t+

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